Alguns direitos reservados - 0 visitantes online - xml-rss - Layout: Rossana Fischer - CMS: Nucleus
[««] - fevereiro 2005 - [»»]
SegTerQuaQuiSexSábDom
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28      


[ 15.02.2005 ]

ORELHA

Muy Queridíssima Tic-Tic,
desculpe esse seu miserável e atrasado ratapulgo, não deu para fazer aquela orelha mas aqui está um pequeno pâncreas. (fase 359c-2 completa!!!)

Uma viagem ao Não Discuto é um safari da alma. Aprendemos que escrever é correr risco. Correr o risco da tinta esferográfica sobre o papel. Ou o batucar das teclas que reverberam como tambores que chamam para dentro do útero da África de papel celofane e orquídeas do tamanho de casas, casas do tamanho de joaninhas, joaninhas sem tamanho algum,
multidimensionais.

Uma viagem ao Não Discuto é um transatlântico de paixões, uma canoa de sonhos ancestrais, é uma menina sonolenta flutuando numa barrica em direção às Cataratas do Iguaçu. É ser carregado por libélulas ébrias pelos pampas gaúchos redecorados com girassóis sob um céu kandinskianamente abóbora. Uma viagem ao Não Discuto é um mergulho em uma piscina de Tiramissu onde lúbricos estames o arrastam para o fundo gelado de mascarpone e bolachas champanhe. Uma viagem ao Não Discuto é o risco de encontrar dentro das gavetinhas do espírito o pequenino frasco de perfume e ver dele saltar o tigre curioso e faminto.

Ao embrenharmos na Ticciolândia selvagem podemos perder a alma mas retornamos sempre levitando com um sorriso maroto. Há quem creia que valha a pena correr o risco. Eu não discuto.




Ratapulgo Escarlate


Escrito por meus amigos às 09:25 de 15.02.2005 1 comentário


Deitada a teu lado, eu já não estava mais ali. Meu corpo ganhara leveza e transparência próprias das memórias e nem peso mais eu fazia sobre o colchão. Tu me olhavas através, não como quem vê, mas como quem recorda. Nada mais dali valia ou tinha cor. A distância já nos tinha imposto a impressão póstuma dos sentidos. Sempre foste assim, apegado às antecedências. Nunca entenderei se o que me levava para longe antes mesmo de partir era tua necessidade de te apoderar do porvir ou uma intolerância absoluta aos transbordamentos. Também sinto assim, uma premente vontade de passar pelo sofrimento num trem que não pára no final da linha, mas ao contrário de ti, não escolhi ser trilho. Tentava gritar na mudez do corpo um suplicar de coragem. Tentava pedir-te ação na imobilidade rútila dos olhos. Teu rosto largo, tua pele triste, tuas minúsculas pupilas me contavam dos temores fossilizantes enquanto eu te abria meu peito em pétala, fazia-me acasalamento e núpcias, estendia a alma em braços e pedia para me impedires de partir. E tu nada disseste, apesar das tuas mãos confessarem tua fome das minhas carnes, ao pesar de uns olhos de tristeza infinita, a pesar teu corpo solidez sobre o meu frêmito e ânsia.


Imagem de Jaeda DeWalt


Escrito por Ticcia às 12:06 de 15.02.2005 10 comentários


email, informações, arquivos, links e etc... Não discuto com o destino, o que pintar eu assino. (Leminski) Blogs Recomendados & Sites Favoritos