De certo tu me dirias que a mim não me falta nada. De certo. Também de certo teus olhos dariam as mãos aos meus, já que teus gestos sempre foram inclusos em teu olhar, num afago que seria piedade e, por isso, também um soco no de mim que não comportaria revide.

Ainda que tuas mãos afagassem o corte, roçassem ásperas a ferida viva, eu teria que suportar, pois teus olhos me estenderiam a imobilidade do teu corpo em piedade triste e, de quebra, me presenteariam com a miudez dos insuficientes, a mendicância dos coitados, a mediocridade dos ordinários, mesmo que a mim seguisses repetindo que não me falta nada. De certo então tu me alcançarias a esmola dos clichês, minha importância na tua vida, coisas boas que vivemos, lembranças maravilhosas que terás de mim e eu te diria que comigo será igual. Só que eu não pretenderia que acreditasses em mim.