
Meu corpo estranha teu corpo como se nunca nos tivéssemos pertencido. Não restam pontes por onde as impressões das tuas mãos ou das minhas possam regressar para sentir relevos, imitar gestos, ganhar textura e calor. O que nos prendia perdeu-se, despencou num abismo, esvaiu-se da vida. Meu corpo não reconhece teu corpo, não estão mais tatuados nele a memória do teu cheiro, o gosto dos teus sucos, a nossa secreta intimidade. Restamos completos estranhos em corpos de vidro na assepsia civilizada de mais nada.