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Meu corpo estranha teu corpo como se nunca nos tivéssemos pertencido. Não restam pontes por onde as impressões das tuas mãos ou das minhas possam regressar para sentir relevos, imitar gestos, ganhar textura e calor. O que nos prendia perdeu-se, despencou num abismo, esvaiu-se da vida. Meu corpo não reconhece teu corpo, não estão mais tatuados nele a memória do teu cheiro, o gosto dos teus sucos, a nossa secreta intimidade. Restamos completos estranhos em corpos de vidro na assepsia civilizada de mais nada.
Imagem Adriano Costa


Escrito por Ticcia às 12:05 de 22.02.2005

Comentários:

Diana-Fsa Escreveu:

Passei horas revendo todos os textos, li cada um novamente e ainda estou com uma sensação de saudade que não passou.
Maravilhoso texto.
Beijos Ti.
22.02.2005 01:36

Erika Escreveu:

E tudo sai de nós com a calma do passar do tempo, não é?

Os cheiros, os gostos... os amargos tbm.

Graças a Deus!!

Beijo
22.02.2005 02:12

Carol - Alemanha Escreveu:

A autoridade que você expressa através de seus textos é uma coisa realmente incrível! Parabéns Ticcia!
Beijos
22.02.2005 04:12

Thata Escreveu:

Nossa, Ticcia, já era fã pela graça dos textos do Megeras, mas estes são pura emoção, lindos lindos. Onde eu tiro carterinha de fã da ticcia?
22.02.2005 06:40

laura Escreveu:

Você é muito boa poeta, das melhores que conheço, e eu fui amiga de alguns...tem o dom da palavra, é uma dádiva, parabéns por naoh ter medo de se despir, escrever é se desnudar.
23.02.2005 10:11

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